10 agosto 2015

Garoto encontra garoto, do David Levithan

... não consegui acreditar que alguém como você pudesse existir, e nem que uma cidade como a sua pudesse existir (p. 178).

Essa é a sensação que eu tive, quando li Garoto encontra garoto, do David Levithan publicado pelo selo Galera do Grupo Editorial Record.

O romance gira em torno do encontro de Paul e Noah e, consequentemente, do relacionamento que eles passam a ter, com todas as questões que os envolvem, como o fato de Noah ser um novato na cidade e ter um passado amoroso complicado, bem como a vida cheia de pessoas e atividades de Paul.

Tudo pareceria muito normal, mas Levithan cria um universo que poderíamos considerar paralelo, onde as escolas são mais que inclusivas, são um ambiente de diversidade e criatividade com o qual não estamos acostumados, o que nos leva, assim como a Tony, o amigo religiosos e gay de Paul, a considerar inusitado descobrir que existe (pelo menos foi o que aconteceu comigo).

E isso me causa certo desconforto, pois sei que o mundo está muito mais para o que Tony vive com o seus pais religiosos e, por conseguinte, intolerantes, do que para liberdade de Paul, Infinite Darlene entre outros. Até mesmo Kyle, ex-namorado de Paul, me parece mais palpável nos seus questionamentos sobre sexualidade, sobre tentar encontrar o próprio caminho.

Ainda assim, entendo, como se dá também com Tony, que essa outra realidade é uma porta de possibilidades que se abre para que as pessoas pensem a diversidade e o respeito.

Ainda assim, acho que em determinados momentos falta um aprofundamento das questões LGBT, principalmente no que se refere às personagens transexuais, como Infinite Darlene, que me parecem ser construídas a partir de um estereotipo de transexuais. Essa sensação me acompanha desde o livro Will & Will, e que, ainda bem, não é reforçada no conto apresentado ao final de Garoto, A quarterback e o líder de torcida, o qual fala de um encontro de Infinite Darlene com Cory, o líder de torcida de outro colégio. Há, nesse conto algo a mais na personagem, que foge um pouco do que nos foi apresentado. Há dúvidas em Darlene. Há questões sobre como ela se relaciona com o corpo e a sexualidade de dúvida, de não adequação. O contrário do tom espalhafatoso que temos no romance, que mais nos parece ter como objetivo o cômico e nada mais.


No que se refere as outras obras de Levithan, das que eu li, Garoto encontra garoto encontra-se num patamar de escrita muito mais agradável que o seu outro romance LGBT, Dois garotos se beijando. Isso se deva talvez pelo fato de não termos aquela narração paralela, dos espíritos dos gays do passado.

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Um comentário:

  1. Para falar a verdade eu gostei mais de Dois garotos se beijando que Garoto encontra garoto. Garoto encontra garoto eu achei bem superficial embora não seja comum encontrarmos em um livro um personagem Trans. Em dois garotos se beijando o David retrata algo bem mais profundo do mundo LGBT, ele retrata mais uma vez a transexualidade e a diferença da vida de um homossexual hj e como foi no passado.

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